Cardápio do estudante
deve incluir massa e até chocolate
Às vésperas da Páscoa, fica difícil não pensar
em chocolate, ainda mais durante uma longa tarde de estudos. Mas, segundo a
nutricionista Vanderlí Marchiori, beliscar essa iguaria não é nenhum pecado e
pode até ser um estímulo para permanecer com foco nos livros. "Peixes
magros, linhaça, frutas amarelas e cítricas, muita água e chocolate amargo são
alimentos que ajudam a manter a concentração", diz ela, que também é
secretária-geral da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva.
- A água é fundamental para o bom funcionamento de nosso corpo,
porque dissolve as substâncias ingeridas nas refeições e facilita a absorção
pelo organismo
- Azeite de oliva é rico em ácidos graxos
monoinsaturados, que são componentes da membrana das células nervosas. Fornece
também antioxidantes, os polifenóis e a vitamina E, que tem efeito
neuroprotetor - ou seja, ajuda a proteger os nervos
- Peixes, carnes e leite possuem aminoácidos
essenciais, ou seja, aqueles que o corpo não consegue sintetizar. Com esse
material, o corpo consegue fazer a manutenção de nossos órgãos e tecidos. A
carne também é fonte de ferro, nutriente fundamental para manter níveis normais
de hemoglobina no sangue (e é a hemoglobina que permite o transporte de
oxigênio no sistema circulatório)
- Cereais integrais são
ricos em vitaminas do complexo B, em ácido fólico e em vitamina B6. São
importantes para a memória - ou seja, ajudam a evitar aquele ''branco''
- Chocolate amargo pode ser um bom estímulo na
hora de se concentrar para um longo estudo
- Frutas cítricas são fontes de vitamina C. Por isso, auxiliam o
organismo a reagir bem a infecções e ao estresse, além de ter papel importante
na utilização eficiente de ferro
- Frutas vermelhas têm flavonóides, com
propriedades antioxidantes isto é,
protegem as células de efeitos negativos dos radicais livres
- Massas são boas fontes de energia para aulas
longas ou provas. Elas ajudam a resistir ao cansaço durante essas atividades
- Nozes e castanhas são fontes de ômegas,
importantes para o sistema imunológico - ou seja, ajudam o estudante a não
contrair doenças facilmente (como ficar constantemente resfriado)
- Ovos são boa fonte de proteína e de colina, um
composto químico presente nas membranas celulares. Também contêm ácido fólico,
ferro, zinco entre outros nutrientes
- Vegetais folhosos escuros são boa fonte de
ferro, cálcio e fibras
- Leite e derivados são fonte de cálcio,
vitamina A, B1, B2, D e fósforo
É claro que o consumo de
chocolate deve ser moderado e compor apenas uma pequena parte de uma dieta
equilibrada: "Evitar o consumo de balas, refrigerantes, frituras,
guloseimas, doces em excesso e alimentos muitos condimentados faz parte de hábitos
saudáveis", pondera Patricia Prado Dias Peres, nutricionista do Cepeusp
(Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo).
No entanto, ela enfatiza
que alimentos com carboidrato são fundamentais para qualquer aluno – por isso,
dietas que cortam esse nutriente podem resultar em queda de desempenho
acadêmico. “O carboidrato, que está presente em pães integrais, em cereais, é
importantíssimo na alimentação, já que é fonte de energia para o cérebro e para
as hemácias”, afirma. As massas também são fontes de carboidrato e, quando
ingeridas com moderação, podem ser uma fonte de energia. Mas, como consumir
carboidrato de forma adequada? A maneira é fracionar as porções ao longo do
dia, nas principais refeições e lanches, diz Patricia. “O carboidrato é
fundamental para a concentração, para a disposição e para a energia do aluno.
Fontes desse nutriente ajudam nas aulas mais longas e no desempenho das
provas.”
Antes da prova
Na opinião de Vanderlí,
a dieta do estudante deve ter menos gorduras e mais verduras e frutas do que a
de uma pessoa qualquer. E, antes das provas, a ingestão dos alimentos corretos
pode fazer toda a diferença: “Comida pesada antes dos exames, como uma
feijoada, faz com que a circulação passe a ser preferencial na região digestória.
Com isso, o fluxo cerebral acaba diminuindo, e há mais cansaço físico e mental.
E muito sono”, alerta.
Se o estudante não deve
comer muito antes das provas e aulas, é importante, por outro lado, se
alimentar com regularidade. “Ele nunca deve ficar mais de três ou quatro horas
sem comer porque o jejum prolongado provoca gasto de massa muscular e posterior
estoque de energia”, afirma a nutricionista do Cepeusp.
Alimentação balanceada
Patricia explica que a
alimentação balanceada é essencial para que o corpo receba todos os nutrientes
para a saúde e o bem estar. Uma forma de checar se o cardápio está balanceado é
compará-lo com a “Pirâmide Alimentar”. “Ela é o guia para a ingestão de todos
os nutrientes necessários ao bom funcionamento do corpo e é aprovada pela
Organização Mundial da Saúde”, diz.
No Brasil, a professora
Sonia Tucunduva Philippi, da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de
São Paulo), junto de seus colaboradores, adaptou as orientações da OMS ao
hábito dos brasileiros. A base da pirâmide é composta pelos carboidratos
complexos, que são fonte de energia, como pães, cereais, tubérculos e raízes.
“Devemos consumir 60% de alimentos deste grupo”, explica Patricia.
Logo acima, estão as
hortaliças e frutas, que fornecem vitaminas, sais minerais e fibras. Em
seguida, há o grupo das proteínas (carnes, leite, ovos e leguminosas). Esses
são os alimentos construtores e devem representar de 10 a 15% da dieta.
No topo da pirâmide
ficam os doces, açúcares e gorduras, que também são fontes de energia, mas que
devem estar limitados a uma ou duas porções por dia.
“A pirâmide funciona
bem, no geral, mas é claro, temos que levar em consideração que cada indivíduo
tem características diferentes, como: sexo, idade, metabolismo, prática de
atividades físicas, situações fisiológicas. Assim, algumas pessoas terão
necessidades específicas”, orienta Patricia.
Exercício físico
A prática de algum tipo
de esporte pode ter impacto favorável no rendimento acadêmico, quando associada
a uma dieta equilibrada. As duas nutricionistas alertam que a atividade física
é um dos fatores que colaboram para diminuir a ansiedade, porque produz a
chamada serotonina, uma molécula que ajuda na comunicação dos neurônios e pode
auxiliar na regulação do sono e do apetite. “Sem dúvida a atividade física
melhora a concentração, ajuda na resistência, além de distrair”, opina
Vanderlí.


