Intensidade na escala Richter não é o
fator principal de devastação dos terremotos
por LUIZA SAHD | 11/03/2011 19h 41
O terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o Japão
hoje, considerado o 7º maior da história, contabilizou até agora quase 400
mortes e milhares de desaparecidos. A devastação causada pelo tremor foi
intensificada pelo tsunami com ondas de até 10 metros, que varreram boa parte
das regiões costeiras do país e chegaram até a costa oeste dos Estados Unidos.
Apesar de todos os estragos causados, a catástrofe poderia ser muito pior se o
Japão não contasse com uma infraestrutura anti-terremotos avançada e também se o
epicentro do terremoto tivesse ocorrido próximo à capital Tóquio, onde vivem 13
milhões de pessoas.
De acordo com o
professor de geografia Paulo Roberto Moraes, do cursinho Anglo, de São Paulo,
existem outros fatores determinantes para a devastação, além da intensidade na
escala Richter. Por isso, Moraes evita a comparação entre o terremoto que
atingiu o Japão hoje ao que assolou o Haiti no início de 2010, que vitimou
quase meio milhão de pessoas, tirando a vida de 200 mil.
"Fatalmente é
a localização. O epicentro do terremoto no Japão está em uma área com baixa
densidade populacional, o que fez com que o número de vítimas fosse menor”,
afirma o professor. Segundo ele, não há como apontar semelhanças diretas com o
caso do Haiti, porque o Japão tem infraestrutura e preparo para os terremotos
frequentes da região.
O foco sísmico de
um terremoto é o local no interior da Terra onde se inicia a ruptura do
material rochoso, ocorrendo a liberação de energia. Quanto mais superficial o
terremoto, maiores os estragos que ele pode causar. O epicentro do maior tremor
de terra no Japão hoje ocorreu no oceano Pacífico, a 400 km de Tóquio e a 32 km
de profundidade.
Moraes lembra que
o Japão é um país localizado em uma área de contato entre placas tectônicas - o
país está situado entre as placas Euro-Asiática, Filipinas e do Pacífico -, o
que caracteriza as chamadas 'áreas de choque'. Tremores menores ocorrem com
frequência, mas a infraestrutura de segurança dos prédios garante que as
cidades tenham prejuízos pontuais, sem a necessidade de evacuação de urgência.
“Os terremotos podem dar pequenos sinais de que ocorrerão, mas é impossível
prever sua intensidade e o momento exato dos tremores”, afirma.
A agitação das
águas deu origem ao tsunami, que é um fenômeno mais fácil de monitorar. O
monitoramento da velocidade das ondas possibilita o cálculo do tempo que elas
levarão para atingir as regiões afetadas. No caso das zonas mais distantes do
foco sísmico, pode-se evacuar as áreas de risco com algumas horas de
antecedência. Por isso, regiões como o Havaí, localizada próximo ao tremor, não
foram tão afetadas pelas ondas gigantes.